O inquérito da pandemia
Em 2021, a CPI da Covid pediu o indiciamento de Flávio por incitação ao crime. Em 2020, pediu ao presidente do BNDES que ouvisse o dono da Precisa, empresa da vacina Covaxin, e participou da reunião; segundo a piauí, o dono e um diretor da empresa promoveram para ele um passeio de lancha, e o diretor lhe deu um Rolex; Flávio não respondeu à revista. Em 2025, a pedido da PF, o ministro Flávio Dino, do STF, abriu inquérito sobre as conclusões da CPI contra Jair Bolsonaro e mais 23 pessoas, entre elas Flávio. Não há acusação formal.
17 fontes: Folha, Poder360, BNDES, piauí, Agência Brasil e mais 9 veículos
Situação
Sob investigação
Flávio é um dos 24 investigados no inquérito aberto em 17/09/2025 pelo ministro Flávio Dino, do STF, a pedido da PF (Pet 10.064). O inquérito é sigiloso; em jan/2026 a PF pediu mais prazo. Não há acusação formal.
O que Flávio diz
Não comentou o inquérito de 2025. Em 2021, disse que o relatório da CPI era político e inconstitucional e que "qualquer estagiário de Direito" o arquivaria.
Em outubro de 2021, a CPI da Covid aprovou seu relatório final e pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro e de dezenas de pessoas, entre elas os três filhos políticos dele, Flávio, Eduardo e Carlos, por incitação ao crime. Indiciamento por CPI não é acusação formal: o relatório foi enviado à PGR. Flávio era suplente na comissão.
Em 17 de setembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do STF, atendeu a um pedido da Polícia Federal e converteu em inquérito a petição que reunia as conclusões da CPI (Pet 10.064). O despacho lista 24 investigados; Flávio é o segundo, depois do pai. Segundo Dino, a CPI apontou indícios de crimes contra a administração pública, como fraudes em licitações e superfaturamento. O despacho não descreve a conduta atribuída a cada investigado; o pedido de indiciamento de Flávio pela CPI foi por incitação ao crime. Segundo a Agência Pública, a PGR havia pedido o arquivamento.
O inquérito corre sob sigilo. Em janeiro de 2026, a PF pediu mais prazo. Não há relatório conhecido nem acusação formal.
A Precisa Medicamentos. A empresa intermediava a venda da vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde; o contrato foi rescindido depois de denúncias de irregularidades. Em janeiro de 2024, a CGU multou a Precisa em R$ 3,8 milhões por fraudes na venda, entre elas uma procuração forjada e uma carta de fiança falsa, e a declarou inidônea; em maio de 2025, segundo a CGU, reduziu a multa em recurso para R$ 2,59 milhões e manteve a inidoneidade. Segundo a Folha, o débito não havia sido pago até outubro de 2026. A CPI da Covid pediu o indiciamento do dono, Francisco Maximiano, e do diretor Danilo Trento.
Em 13 de outubro de 2020, Flávio participou de uma videoconferência, pedida por ele, entre Maximiano e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, sobre financiamento para uma empresa de internet de que o empresário era acionista; a reunião consta da agenda oficial do banco. Nenhum financiamento foi contratado. Quando a reunião veio a público, em 2021, Flávio disse em vídeo que conhece Maximiano por amigos em comum, que não tem relação comercial ou financeira com ele e que só pediu ao banco que ouvisse a ideia. Na CPI, Flávio defendeu a empresa e elogiou uma diretora dela.
Segundo reportagem da piauí de outubro de 2026, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia, Trento e Maximiano promoveram para Flávio um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, com Alexandre Santini, então sócio dele e três garotas de programa levadas de São Paulo no jato que trouxe os empresários. Ao fim, segundo a revista, Trento tirou do pulso um Rolex e o deu a Flávio. A revista se baseia no relato de uma pessoa que estava na lancha, em quebras de sigilo enviadas a CPIs e em registros de voo. Flávio não respondeu à revista; Trento interrompeu o contato, e os advogados de Maximiano não responderam. Não há investigação conhecida sobre o passeio.
Quem aparece
- Jair BolsonaroEx-presidente (2019–2022); pai de Flávio, a quem indicou como candidato em 2026. Condenado em definitivo pelo STF a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe; cumpre a pena em prisão domiciliar humanitária. Inelegível
- Eduardo BolsonaroIrmão de Flávio; ex-deputado federal; citado pela PF como possível beneficiário de parte dos recursos enviados por Vorcaro para o filme Dark Horse. Vive nos EUA; condenado pelo STF em jun/2026 a 4 anos e 2 meses por coação no curso do processo, em decisão definitiva; em out/2026 o STF mandou expedir mandado de prisão
- Carlos BolsonaroIrmão de Flávio; ex-vereador do Rio; eleito senador por SC (PL) em 04/10/2026; sócio da Bravo Grafeno, segundo o ICL. Indiciado pela PF no caso da Abin paralela (jun/2025) e investigado na Justiça Federal do DF; o MPRJ reabriu em fev/2026 a investigação sobre o antigo gabinete dele na Câmara do Rio
- Francisco Emerson MaximianoDono da Precisa Medicamentos à época da pandemia, que intermediou a venda da vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde; a CPI da Covid pediu seu indiciamento em 2021. Em 2024, a CGU multou a empresa e a declarou inidônea
- Danilo Berndt TrentoDiretor institucional da Precisa Medicamentos; a CPI da Covid pediu seu indiciamento em 2021
Os registros
Inquérito da pandemia
Sob investigaçãoFlávio é um dos 24 investigados no inquérito aberto pelo ministro Flávio Dino, do STF, a pedido da PF, com base no relatório da CPI da Covid (Pet 10.064). O despacho o lista como requerido, logo depois do pai. Segundo a Agência Pública, a PGR havia pedido o arquivamento da petição. Em 2021, a CPI havia pedido o indiciamento de Flávio, Eduardo e Carlos por incitação ao crime; indiciamento por CPI não é acusação formal.
Versão: Não comentou o inquérito. Em 2021, disse que o relatório da CPI era político e inconstitucional
Fontes (10)
- STFPet 10.064, despacho do ministro Flávio Dino (17/09/2025)
- Agência PúblicaDe família Bolsonaro a gabinete do ódio: os investigados no novo inquérito da CPI da Covid (18/09/2025)
- MetrópolesDino manda PF abrir inquérito contra Bolsonaro por gestão da pandemia (18/09/2025)
- MigalhasMinistro Dino manda PF investigar crimes apontados na CPI da Covid (18/09/2025)
- O TempoPF pede mais prazo a Dino para apurar suspeitas contra Bolsonaro na pandemia de Covid-19 (13/01/2026)
- O PovoFlávio Bolsonaro diz que “qualquer estagiário” arquiva o relatório da CPI da Covid (26/10/2021)
- Diário do NordesteRelatório final da CPI da Pandemia é aprovado por sete votos a quatro (26/10/2021)
- Congresso em FocoFlávio Bolsonaro passa a integrar a CPI da Covid; veja a nova composição (2021)
- FolhaDino abre investigação contra Bolsonaro, filhos e outros 20 com base na CPI da Covid (18/09/2025)
- FolhaCPI da Covid pede indiciamento de 80; veja quem é quem e seus possíveis crimes (26/10/2021)
Flávio Bolsonaro e Francisco Emerson Maximiano
Fato documentadoEm 13/10/2020, Flávio participou de uma videoconferência, pedida por ele, entre Maximiano, então dono da Precisa Medicamentos, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, sobre financiamento para uma empresa de internet de que Maximiano era acionista; a reunião consta da agenda oficial do banco. O BNDES diz que nenhum financiamento foi contratado. A Precisa intermediava a venda da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde; o contrato foi suspenso e depois rescindido, e em 2024 a CGU multou a empresa em R$ 3,8 milhões por fraudes e a declarou inidônea; em 2025, segundo a CGU, reduziu a multa para R$ 2,59 milhões e manteve a inidoneidade. Segundo a Folha, o débito ainda não foi pago. Na CPI da Covid, em 2021, Flávio defendeu a empresa. Segundo a piauí, Maximiano e Trento organizaram em 17/07/2020 o passeio de lancha com Flávio em Brasília.
Versão: Em vídeo de jun/2021, Flávio disse conhecer Maximiano por amigos em comum, que não tem relação comercial ou financeira com ele e que só pediu ao presidente do BNDES que ouvisse a ideia de levar internet ao Norte e Nordeste. Sobre a reportagem da piauí, não se manifestou
Fontes (7)
- Poder360Flávio Bolsonaro teve reunião com dono da Precisa no BNDES em 2020 (25/06/2021)
- BNDESAgenda do presidente: terça-feira, 13 de outubro de 2020 (13/10/2020)
- piauíUma tarde no lago (21/10/2026)
- FolhaFlávio Bolsonaro fez festa em lancha com lobistas e prostitutas durante a pandemia, diz revista (21/10/2026)
- FolhaEmpresa que teria feito festa para Flávio deve R$ 4 milhões à União por fraude em vacina (22/10/2026)
- Agência BrasilCGU multa em R$ 3,8 milhões empresa responsável pela vacina Covaxin (16/01/2024)
- Agência GovCGU sanciona empresas por fraudes na pandemia e mantém punição à fornecedora da Covaxin (06/05/2025)
Flávio Bolsonaro e Danilo Berndt Trento
AlegaçãoSegundo a piauí, em 17/07/2020, durante a pandemia, Danilo Trento e Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, que negociava a Covaxin com o governo, promoveram para Flávio um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, com Alexandre Santini, então sócio de Flávio, e três garotas de programa levadas de São Paulo no jato que trouxe os empresários. Ao fim, segundo a revista, Trento tirou do pulso um Rolex e o deu a Flávio. A revista se baseia no relato de uma pessoa que estava na lancha, em quebras de sigilo enviadas a CPIs e em registros de voo. Em jan/2020, Trento esteve em Las Vegas no mesmo período que Flávio.
Versão: Flávio não respondeu à piauí; Trento interrompeu o contato, e os advogados de Maximiano não responderam. Em 2021, Flávio disse que nunca se reuniu com Trento em Las Vegas e que não tem vínculo de qualquer espécie com ele
Documentos oficiais
Decisões, processos, atos e registros publicados por órgãos públicos sobre este caso, e notícias de agências públicas e de tribunais. Todos os documentos
Documentos1
- Pet 10.064, despacho que converte a petição em inquérito policial
Flávio Dino acolhe pedido da PF e converte em inquérito a petição baseada no relatório da CPI da Covid, com prazo de 60 dias e sigilo. Flávio consta como requerido.
Cópia publicada pelo Migalhas, autenticável no portal do STF. O despacho não descreve a conduta atribuída a cada investigado.
Notícias oficiais1
- A pedido da PF, STF determina abertura de inquérito para investigar resultados da CPI da Pandemia
Nota do STF sobre a abertura do inquérito; cita Flávio entre os agentes públicos cujas condutas, segundo o relatório da CPI, seriam supostamente criminosas.
Fontes deste caso
Reportagens, decisões e documentos usados nesta página. Cada link abre a publicação original.
- STFPet 10.064, despacho do ministro Flávio Dino (17/09/2025)
- Agência PúblicaDe família Bolsonaro a gabinete do ódio: os investigados no novo inquérito da CPI da Covid (18/09/2025)
- MetrópolesDino manda PF abrir inquérito contra Bolsonaro por gestão da pandemia (18/09/2025)
- MigalhasMinistro Dino manda PF investigar crimes apontados na CPI da Covid (18/09/2025)
- O TempoPF pede mais prazo a Dino para apurar suspeitas contra Bolsonaro na pandemia de Covid-19 (13/01/2026)
- O PovoFlávio Bolsonaro diz que “qualquer estagiário” arquiva o relatório da CPI da Covid (26/10/2021)
- Diário do NordesteRelatório final da CPI da Pandemia é aprovado por sete votos a quatro (26/10/2021)
- Congresso em FocoFlávio Bolsonaro passa a integrar a CPI da Covid; veja a nova composição (2021)
- FolhaDino abre investigação contra Bolsonaro, filhos e outros 20 com base na CPI da Covid (18/09/2025)
- FolhaCPI da Covid pede indiciamento de 80; veja quem é quem e seus possíveis crimes (26/10/2021)
- piauíUma tarde no lago (21/10/2026)
- FolhaFlávio Bolsonaro fez festa em lancha com lobistas e prostitutas durante a pandemia, diz revista (21/10/2026)
- FolhaEmpresa que teria feito festa para Flávio deve R$ 4 milhões à União por fraude em vacina (22/10/2026)
- Poder360Flávio Bolsonaro teve reunião com dono da Precisa no BNDES em 2020 (25/06/2021)
- Agência BrasilCGU multa em R$ 3,8 milhões empresa responsável pela vacina Covaxin (16/01/2024)
- BNDESAgenda do presidente: terça-feira, 13 de outubro de 2020 (13/10/2020)
- Agência GovCGU sanciona empresas por fraudes na pandemia e mantém punição à fornecedora da Covaxin (06/05/2025)
Próximo caso: A sala em Águas Claras